"E os seus cabelos...

... só eu sei como afagar."


Aventurar-se

Hoje o dia aqui em Parnaíba começou com uma manhã quente. A tarde, com seus ventos frios proporcionou aconchego. Para finalizar, um pôr-do-sol esplêndido coloriu o céu de tons lilás, amarelo e laranja.
Um presente para quem trabalhou tanto essa semana...
Agora passa da meia-noite. O novo dia provoca em mim uma sensação louca, uma mistura de melancolia e euforia... Esse clima me fez viajar, lembrar de quando eu caminhava pelas ruas da cidade e acabava indo visitar amigos. Ia pra conversar, gostava de um em especial e ouvia os dilemas de uma vida sem sentido e depois, quando ficávamos sem assunto, pedíamos uma pizza de madrugada, saíamos para tomar um vinho na pracinha depois que todo mundo ia dormir ou bisbilhotávamos aqueles blogs interessantes dos nossos amigos, fazendo cometários, rindo, se emocionando e tentando adivinhar se aqueles posts eram ou não eram uma indireta. Tolos devaneios!
É... Agora eu pensei demais e fui além, lembro da gente conversando aqueles assuntos tão passageiros, tão triviais... (existia uma biblioteca de Alexandria entre a gente - como diria C.F.A. em seus Morangos Mofados). Mas para mim, fazia todo o sentido, me preenchia. Parecíamos não ter preocupação, até hoje eu me lembro, rio e chego a conclusão que, apesar de tudo, aqueles foram bons dias. Ah, se foram...

A volta

Quando eu me deparei estava com aquela saia indiana, que você tanto gosta, e uma camiseta verde. O cabelo feito uma trança pequena, sendo que a maior parte ficava esvoaçando pelo vento. Eu caminhei pelos corredores da UFPI, entrei numa sala e comeceia  ler um livro. Horas depois eu ouvi sua voz na porta da sala, quando olhei pra trás vc estava com sua mochila e pediu para que o Carlos colocasse as caixas com os livros na sala ao lado. Uma mulher o esperava ansiosamente lá fora, parecia inquieta. E antes que eu pudesse falar algo, você foi embora. Fiquei resignada a uma solidão e tristeza terríveis, meu coração apertava... Seria uma namorada? Talvez a sua mulher... Não sei, no fundo eu sabia que não valeria mais a pena tentar alguma coisa, mais cedo ou mais tarde eu saberia e talvez essa verdade fosse melhor para todo mundo.
Saí da sala e deitei num banco da pracinha da UFPI, com o corpo sobre o banco e pernas cruzadas decidi continuar minha leitura. Inesperadamente um suave beijo roça meus lábios, e meu coração se contenta, se enche de alegria. Ele tinha voltado.
"Anseios temperados com receios, paranoias e outras dúvidas
(...)
Ter que acordar
Sorrir
Cumprir
Cumprimentar
Admitir
Fingir
Dançar, dançar, dançar...
No infinitivo perpétuo de 24 lentas horas."

Nada Além
Los Porongas


"Fiz um barco a vela e decidi nadar
Quis janela e preferi fechar
Vem me leva até perto de casa
Que a casa é mais perto que o fim
Me leva pra longe de casa
Que o acaso é mais certo que o Sim."

[Espelho de Narciso - Diego Soares]